sexta-feira, 18 de maio de 2012
Quero com minha vida alcançar a toda vida
Ser uma ponte que sai de antes de mim
E chega até depois do outro
Estaciono-me ao lado do que não conhece ruído
Encosto-me no lado do que não é físico
Como quem vai a praia e absorve o azul
Vejo as cores
Posso ler nelas a origem da vida
Posso sentir o formigar dos átomos
Definindo o estado da matéria
Tudo enquanto teimo
Em ouvir o silencio
Escrevo o que mexe comigo
Ancorar o veleiro em abrigadas águas
E ver o por do sol com o suficiente silêncio
Voar na cabine de um jato
Ajudar numa sala de emergência
Velejar calmamente com os filhos
Passear a cavalo em turma
Tratar bem as pessoas
Deitar junto da mulher amada
Escutar o ressonar dos filhos
Sonhar o sonho deles
Dar presentes
Comprar som e filmes
Ver o mar azul do sul da Itália
Dirigir um carro inglês
Dar tintas e pinceis para a criatividade dos filhos
Depois água ráz
Resolver a equação da vida
Simplificá-la
Desmistificá-la
Me sei amigo.
Consigo fáceis.
Coisas impossíveis.
Sou criativo.
Tenho temperamento musical.
No fundo sou artista.
Um equilibrista.
Altruísta que anseia.
Pela paz .
Não sou feio.
Nem bonito.
Tenho olhos azuis.
Adoro olhar o céu.
Horas o mar.
Na janela os campos.
Sei pilotar.
Sei navegar.
Mas adoro mesmo.
É voltar.
Reconheço que a vida não era fácil.
Que o chuveiro pingava e as rouvas .
Se avolumavam na cadeira.
Que não tampava a o tubo de pasta.
Que me enfiava na tv .
Que buscava frisson.
Que me ausentava dentro de mim.
Que queria ser amado primeiro.
Mesmo por quem não conseguia amar.
Que fazia poucas perguntas.
Confiava mais no que achava.
Não era muito pontual.
Que tinha dificuldade em pedir ajuda.
Gostava mais de ajudar.
Criticava com facilidade.
Os defeitos dos outros jorravam em meus olhos.
Sem paciência.
No fundo não conseguia criticar a mim mesmo.
Retomo a poesia sobre concreto.
Martelo e talhadeira.
Braços doídos pela força e rimar.
Minhas roupas mudaram de lugar.
Tenho em minha janela uma favela.
A visão mais brasileira.
Na outra um ipê roxo.
Carregado em cor.
Exuberante como o morro.
Atrás a escola na mesma latitude.
Do Santo Thomas.
Pelo menos em terra.
A luz vai murchando.
A brisa contínua do leste.
Fico quase imóvel.
Enquanto a pluma de minha alma.
Vai sendo levada.
Assinar:
Postagens (Atom)